
Pra fugir. Da realidade que me chama, que me dilacera, que me tira dente por dente e me deixa a banguela do coração. Fujo das broncas, das responsabilidas e das impossibilidades. Fujo de todos um pouco, e principalmente de mim. Fujo do medo e corro pra coragem. Saio de casa e vou pro palácio. Corro as planícies e me atrevo às montanhas. Chego ao mar. Fujo pras águas e pra morte. Fujo de tudo e de todos.
Da minha família, dos meus conflitos, das minhas inverdades. As verdades? Ah, tento achá-las. Nunca consigo. Fujo da solidão e encontro companhia no nada, tudo fictício. Tudo meramente criado pela minha imaginação de modo que eu acredite que há escapatórias. Não há. Elas não existem. Fujo sabendo da impossibilidade de fugir, de me esconder, de me enclausurar em jaula tão rasa e sem cadeado. Fujo e de nada adianta.
É por isso que leio e escrevo: pra fugir da minha realidade, que me foi imposta, que não me perguntaram sobre.

Parabens! seu texto é lindo. pq parou de postar?
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