
Nunca fui um muleque arteiro, mas passei longe de ser santo. Eu era saudável. Brincava em demasia com tudo que me dispunha. Pega-pega, esconde-esconde, gato-mia, banco imobiliário, lego. Meu pai me enchia de brinquedos, dos mais caros aos mais simples e pra mim pouco importava. O gostoso era poder me divertir. Mas então chovia e eu não fazia nada, olhava os pingos que começavam por molhar a parte mais alta da veneziana de meu quarto, e pouco a pouco escorriam, embebedando-na de água que caia lá do céu. Era lindo e eu queria participar, mas mamãe não deixava. As poucas vezes que tomei banho de chuva foi escondido dela, e quando percebia a minha falta, punhasse a gritar e me colocava de castigo - fora as surras que tomava. Hoje lembro daqueles dias com divertimento. Boto-me a sorrir, porque diferente daqueles tempos, hoje não tenho vontade alguma de me molhar com aquela água que hoje sei como cai do céu. Prefiro ler e escrever dentro de casa ou no trabalho, rememorando e deixando o clima de nostalgia no ar.
Bons tempos.

Nossa, eu vim procurar uma imagem pra ilustrar meu texto e encontro o seu, assim tão lindo...
ResponderExcluirao contrario de vc, eu escrevo sobre a travessa que fui, e que, ainda hj, foge pra tomar banho de chuva. rsrsrrs.